segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Criança é feita de poesia

Em tempos de vírus à solta, ficamos nós, humanos, presos em casa. Mas num sábado de sol e temperatura amena, arriscamos uma saidinha meteórica até a loja de materiais de construção. Passeio em família, quem diria!

Lojas grandes ficam na periferia das cidades. E Curitiba já é uma metrópole, vejam vocês. Mesmo distante, encontramos a loja com razoável facilidade. É preciso lembrar que no caminho passamos por dentro de uma favela sem querer, o que gerou momentos de certa angústia e tensão, somente quebradas pelo nosso pasmo ao ouvir a pergunta das crianças:

- Nós saímos de Curitiba?

Meus filhos conhecem pouquíssimo da cidade onde moram e nunca haviam visitado nem de longe, muito menos de perto, uma favela.

Não tive muito tempo para filosofar a respeito da diferença de cidade que existe dentro da minha cabeça e dentro da cabeça deles porque, enfim, encontramos a loja. Só que estávamos do lado errado da enorme e larga avenida em que ela fica. E, só pra conseguir mudar de pista, andamos uns 15Km pela rodovia em direção a São Paulo! Eu já estava pensando que ia encontrar mais fácil a filial da marginal Pinheiros do que conseguir passar para o outro lado da BR em reforma, mas não, depois de idas, vindas, retornos, contornos, assopros, bufadas, xingamentos e altercações, conseguimos voltar os vários kilômetros percorridos além da conta.

Enquanto isso, as crianças no banco de trás, completamente alheias aos pais à beira do mau humor nos bancos da frente, iam observando o que para eles era total novidade: a cidade em que moram e as grandes empresas que se instalam ao longo de uma BR. Tudo era motivo de exclamação.

Foi nesse momento que a Ana Luíza viu uma indústria que soltava uma grande quantidade de fumaça branca pela chaminé e gritou, maravilhada:

- Olha!!! Uma fábrica de nuvem!

Como é bom ter cinco anos...

14 comentários:

  1. Juliana, aproveita bastante essa idade deles, é um momento muito bonito e que a gente nuca mais esquece. Porque depois vem a fase da chatice, das revoltas, daí tem que ter mais saco ainda.

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  2. é muito lindo isto....tenho saudades dos meus cinco anos apesar de tudo... beijos!!!

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  3. Rose,

    Uma leveza que eu só não invejo porque vivo através deles :-)

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  4. Sol,

    Claro que não esquece. Mas como eterna otimista quero acreditar que sempre vai ter alguma coisa boa nos momentos que virão. Até na adolescência... Tá, tô exagerando. Mas adolescência passa, não passa? Diga que sim, por favor!

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  5. Andrea

    Lindo demais! Por isso quis escrever aqui. Pra eu mesma não esquecer...

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  6. Tem mais uma da Ana Luíza que a Bru me contou e achei demais. Sexta à noite, elas estavam brincando, conversando e tal e começaram a falar de namorado. Diz que a Ana Luíza falou que não tinha namorado e não gostava de namorado! A Bru quis saber por quê... Resposta: "porque eu tenho vergonha...." Amei! rsrsrs

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  7. Silvana

    Ela já me contou essa! Disse que só as Barbies dela namoram, ela não! :-D

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  8. JULIANA: TEXTO IMPECÁVEL, E EM HOMENAGEM A SUA CLAREZA,OBJETIVIDADE E CORREÇÃO, NÃO VOU ACRESCENTAR UMA SÓ PALAVRA A ESTE TEXTO, A NÃO SER REPETIR VOCÊ:

    -"COMO É BOM TER CINCO ANOS".

    UM ABRAÇÃO CARIOCA!

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  9. Oi Paulo

    O que eu mais gostei do seu comentário foi da "objetividade". Sempre achei que a falta dela era meu maior pecado! Ganhei o dia :-)

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  10. Ai ai. Nessas horas até penso em ter filhos. Vamos ver, vamos ver!! hihihi. Lindo.

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  11. Incrível. Uns dias antes o Gustavo falou a mesma coisa.

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  12. Fabio

    Isso só prova minha teoria: Curitiba faz muito bem às crianças! :-D

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