segunda-feira, 29 de junho de 2009

Os louros que chegam de repente

Esse mundo dos blogs é genial! Tenho aumentado consideravelmente minha lista de amigos e contatos, o que significa que estou também aumentando a minha lista de credores! Eu sempre estou devendo alguma coisa para alguém: de dinheiro a telefonema, de email a resposta de comentário! Não sei mesmo se um dia conseguirei pagar tudo (aqueles aos quais devo dinheiro devem ter sofrido agora mesmo uma crise cardíaca, mas esses podem ficar sossegados! Só que não adianta me mandar a conta do cardiologista por causa do ataque porque aí não vai dar).

Faz parte da amizade entre blogueiros a atribuição de selos ou prêmios. Alguém recebe um selo e deve indicar outros blogs aos quais atribui o selo e assim por diante. Eu já ganhei selos!!! Mas sou uma perdida, cheia de coisas, sempre atrasada e acabei deixando de mencionar aqui essas importantes demonstrações de reconhecimento! Sou atrapalhadinha, gente. Lerdinha, demorada. Só que devagar, mas beeeem devagar mesmo, vou retribuindo!

Então aqui vão os importantíssimos selos que ganhei!

Primeiro vieram aqueles da minha amiga Mariane :


Há algumas semanas foi a vez da Cristine me supreender com a atribuição deste selo:


A brincadeira completa inclui eu explicar os selos, dizer algumas coisas sobre mim e indicar outros blogs. Só que manterei minha conduta antiesportiva e não vou fazer isso...

Sobre mim eu falo aqui sempre :-)

E quanto aos indicados, como boa libriana simplesmente não conseguiria indicar apenas seis blogs! Aliás, é exatamente por ser incapaz de indicar um blog e deixar outro de fora que estou há meses pra retribuir essa supresa tão agradável! Então vai de um jeito simplinho e meio incompleto, mas muito feliz: obrigada pelo reconhecimento! Vocês sabem como fazer pra deixar o meu dia melhor!

sábado, 27 de junho de 2009

Nem black, nem white. O mundo hoje é grey.

Em milhões de blogs e sites no mundo apareceram textos falando da morte do Michael Jackson. Não quero copiar os outros, nem tenho nada de novo a acrescentar, nem vou fazer considerações originais. Apenas vivo uma época em que posso compartilhar com o mundo, instantaneamente, um sentimento que é geral e assim me consolar um pouco. O mundo todo hoje é uma cidade do interior. A diferença é que as comadres que conversavam de uma janela a outra foram substituídas pelos blogueiros que espalham as notícias de um post a outro.

Como o resto do planeta, estou triste. Tenho uma sensação esquisita dentro do peito que combinou perfeitamente com o dia chuvoso, frio e cinzento que tivemos em Curitiba. Estou triste porque morreu uma porção de coisas ao mesmo tempo...

Em primeiro lugar, morreu uma pessoa, o que em si não tem nada de antinatural. A morte nem foi trágica, não foi assassinato, nem acidente espetacular, nem em circunstâncias escandalosas. Pode ser que descubram que o médico tenha exagerado na dose do analgésico, mas há anos sabia-se que ele tomava analgésicos em excesso e nem eram remédios proibidos. Portanto, foi uma morte de um organismo que chegou ao seu fim, quase que naturalmente. Temos hoje tantos recursos pra prolongar a vida que nos esquecemos de que ela vai ter de acabar um dia. De qualquer forma, morreu uma pessoa, um pai, que deixou filhos, que deixou família, que deixou amigos e essas pessoas devem estar muito abaladas por essa perda tão súbita.

Mas, se no início fiquei triste pelo ser humano, com o passar das horas e com a overdose de reportagens na TV, fui vendo nele uma série de coisas que nunca tinha visto e que foram, pouco a pouco, estendendo minha tristeza a outras áreas. É como se o mundo ao meu redor fosse se vestindo de cinza, perdendo a cor e o contraste.

Que dor imensa era essa que ele carregava, que não tinha analgésico capaz de aliviar? E que capacidade de transformação gigantesca! Onde ele encontrava força e energia para deixar de ser aquele homem magro que falava num fio de voz infantil para explodir em vitalidade quando cantava e dançava? A pessoa que andava não era a mesma que subia aos palcos. Não consigo nem imaginar o quanto devia ser dolorosa essa transformação e o quanto deveria ser dispendiosa em energia essa busca de vida onde a vida parecia não ter lugar.

Tanto se disse sobre o fato de ele ter embranquecido com o tempo. Agora penso se não estava simplesmente se desmaterializando devagar, ficando transparente, até terminar por desaparecer por completo anteontem.

Também muito se comentou a transformação de sua aparência ao longo da sua curta vida. E só agora percebi que além da cor da pele e do cabelo, uma coisa que mudou de maneira radical foi seu nariz. Era um nariz largo e redondinho na infância, mas foi sendo diminuído em cirurgias sucessivas até praticamente deixar de existir. As narinas estavam quase fechadas, não passavam de duas fendas muito estreitas. O nariz é a nossa invasão no mundo. É o que sai do plano do rosto, é o que chega primeiro. Diminuí-lo daquela maneira parecia ser uma vontade de não chegar, não invadir ou, quem sabe, uma forma de frear a velocidade daquela existência de extremos. Mas, principalmente, é pelo nariz que entra o ar, que entra a vida, o sopro da vida! Fechar as narinas é quase impedir que essa vida penetre no corpo. Acredito que ele começou a morrer na primeira cirurgia plástica a que se submeteu para tentar fazer desaparecer seu próprio nariz.

Perceber tudo isso em Michael Jackson me deixou duplamente triste. Triste pela sua morte, mas triste também pela sua vida. Ele teve tudo e, ao mesmo tempo, nada. Teve o dinheiro, a fama, o reconhecimento, o amor de milhares de pessoas pelo mundo. Mas fora daquele palco onde mostrava plenamente sua vida, ele parecia ser apenas uma sombra de si mesmo. E é desalentador pensar que toda a admiração de milhões e milhões de fãs por todo canto não conseguiu aplacar aquelas dores. Não pudemos retribuir a quem nos deu tanta coisa de si.

E, apesar das incoerências, excentricidades, fobias e excessos, ainda assim ele conseguiu deixar sua marca num planeta inteiro. Inclusive em mim. Hoje, no meio dessa melancolia que me acompanhou, foi impossível não pensar em mim mesma, na parte de mim que morreu com ele...

Na mesma data, morreu também a atriz Farrah Fawcet, que fez o seriado dos anos 70, As Panteras. Por causa da morte de Michael Jackson, pouco se falou dela. Mas sua imagem e, principalmente, seu corte de cabelo, estão marcados nas minhas lembranças, tanto quanto aquela gargalhada do final do clip de Thriller e outras músicas de Michael Jackson.

Portanto, além de duas pessoas pessoas, morreram também uma parte da minha infância e uma grande parte da minha adolescência. Um longo trecho da minha trilha sonora particular, hoje, ficou muda de pesar. E é sempre triste ver morrer uma parte de nós.

Que a morte tenha sido um analgésico eficaz para aplacar as dores dessas duas pessoas que estiveram tão presentes na minha vida que é como se fossem um pouco da minha própria família. Viverei meu luto cinza ainda por algum tempo. Mas esses dois voltarão a colorir minhas lembranças e marcarão eternamente meus momentos de nostalgia.

Que eles estejam em paz.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sem teste de bafômetro e sem exame médico!

Ouvi dizer que a Igreja Católica vem perdendo fiéis nos últimos anos. Na verdade, acho que tudo é uma questão de marketing, ou melhor, de gestão. O grande problema é que a Igreja exige dos seres humanos uma perfeição e um comportamento muito difíceis de atingir, as penalidades são grandes e bem mais garantidas do que as recompensas. Em poucas palavras, a gente tem muito mais certeza de que vai encarar o chifrudo do que bater um papinho com São Pedro.

O rigor é grande demais! Para o Vaticano a gente só tem uma chance: é essa e acabou. Mesmo sem treinamento prévio, temos de fazer tudo direitinho e de primeira para ter sucesso. Difícil não desanimar, não é mesmo?

Vejamos como se passam as coisas...

Para começar, tem os sete pecados mortais, quer dizer, aqueles que, se cometidos, garantem o bilhete de primeira classe e sem escalas para o mundo das trevas. São eles: a gula... PÉÉÉÉÉÉINNNNNN!!!!! Quem nunca sucumbiu diante de uma torta de chocolate? Quantas dores de cotovelo não foram consoladas em imensos potes de sorvete? Quantas finais de campeonato não geraram vibrações ou mágoas, as primeiras, comemoradas, e as últimas, afogadas em litros de cerveja acompanhados de linguiça na brasa? Sobrou alguém na humanidade para povoar o céu? Duvido! E ainda tem a vaidade, a ira, a inveja, a preguiça, a soberba... E a luxúria, então?

Mesmo com o paliativo da confissão que nos livra do pecado e nos torna novamente puros para tocar harpas com os Serafins, desconfio que não sobra muita gente. Não sobra porque a confissão pressupõe o arrependimento como condição para absolvição, e tem situações em que é difícil acreditar em arrependimento sincero...

- Padre, perdoe porque pequei.

- Quais são as suas dívidas, minha filha.

- É aquele venho problema, Padre.

- Não vai me dizer que...

- É... isso aí...

- Quantos dessa vez?

- Vnttchh...

- Quantos?

- Vinte.

- Vinte?!

- Ai, Padre, eu sei! Sei que eu não devia. Me arrependi mesmo, de verdade. Mas é que eles eram tão... tão... lindos! E o perfume! Aquele cheiro foi invadindo minhas narinas, tomando conta do meu corpo, eu não respondia mais por mim e ...

- Tudo bem! Tudo bem! Não precisa entrar em detalhes. Mas, vinte, Maria? Em quantos dias?

- Bem, já que eu to aqui é melhor dizer tudo de uma vez, né? Foi numa tarde.

- Minha filha, assim não é possível!

- Mas Padre, eles estavam ali, olhando pra mim, me chamando. Eu não consegui resistir, ai de mim! Eu tentei me controlar. Procurei aproveitar cada segundo, fazer tudo bem devagar para ver se o primeiro já me deixava satisfeita, mas não! Foi o primeiro, o segundo, o terceiro! Achei que estava enlouquecendo, mas o prazer só aumentava até que cheguei ao vigésimo.

- E parou por quê?

- Porque só tinha vinte.

- Só?!

- Não! É bastante, eu sei. , é modo de dizer.

- E você quer me convencer de que está arrependida.

- Estou Padre, eu juro!

- Assim como estava na semana passada.

- Isso!

- E na anterior.

- É...

- E na anterior da anterior.

- ... bem ... é...

- Sinto muito, mas é difícil de acreditar!

- Prometo, Padre, prometo: nunca mais! Nunca mais vou fraquejar assim. Pode aparecer na minha frente de qualquer jeito: branco, preto, pequeno, grande, imenso... Ai... Tá, vamos deixar o imenso fora dessa promessa... Mas só se for imenso mesmo, daqueles que não cabem inteiros na...

- TUDO BEM! Já disse que não precisa entrar em detalhes!

- Desculpe.

- ...

- E então? Qual vai ser minha penitência?

- Olha, está cada vez mais difícil de acreditar na sinceridade do seu arrependimento!

- Eu sei... Foi mal...

- Eles eram do quê dessa vez?

- Cereja.

- Cereja... sei...

- Fresca.

- Fresca? Existe isso por aqui?

- Então, Padre, bombom de cereja fresca! Não dá pra resistir, dá?

- Bem, já que eram cerejas frescas vou considerar como uma espécie de... atenuante. Vão ser só cem Ave Marias.

- Valeu, Padre!

Diante desse fato, mais do que evidente, pensei o seguinte: e se a Igreja se modernizasse um pouco e estabelecesse um esquema de pontos, como aquele do Detran? Poderia ser interessante, não? Continuaria tudo como está, ou seja, uma só chance aqui na Terra, depois seria Belzebu ou Querubins, mas pelo menos teríamos uma esperança, ainda que ínfima, de chegar ao paraíso.

Nesse esquema, cada tipo de pecado geraria uma quantidade de pontos a mais na carteira, pontos esses que teriam prazo de validade...

- Padre, perdoe porque pequei.

- Quais são as suas dívidas, meu filho.

- É aquela vizinha, Padre! Ela insiste em trocar de roupa com a janela aberta! Não dá pra não pensar... naquilo!

- Ela ainda é namorada do seu amigo?

- Não! Terminaram... Parece que alguém andou mandando emails anônimos pra ela, contando uns podres dele, coitado...

- É mesmo? Não me diga!

- Ei! Eu não tenho nada a ver com isso! Só comentei com o senhor e com ele mesmo. Foi um azar eu ter feito isso na frente da Marcinha, aquela fofoqueira! Mas nem dá pra dizer que foi ela.

- Sei!

- Juro!

- Bem, sem o agravante do nono mandamento, você sabe, passam a ser só mais três pontos na sua carteirinha. Está aqui.

- Valeu!

- Espere aí! Foi só pensamento ou teve algum... hummm... ato que o acompanhou?

- Bem... Pra falar a verdade, comprei um creme depilatório, assim, só pra garantir...

- Então, meu caro João, são seis pontos!

- Mas, Padre! A carne é fraca! Assim o senhor vai me deixar no limite dos pontos!

- Compre uma cortina nova!

- Não tem uns pontinhos pra expirar aí? Dá uma olhada.

- Tem.

- Quanto tempo?

- Dois meses.

- Dois meses?!! Padre, o senhor não está me deixando nem na mão, está me deixando só no pensamento! O senhor não viu a minha vizinha, não vai dar...

- Blackout! Blackout, João!! Compre um blackout!

Ao atingir o limite, o fiel teria de passar por um cursinho, tipo catequese, para zerar a pontuação. Sem isso, nada de nuvenzinhas brancas depois. Claro que teriam os crimes sem apelação, com recolhimento imediato da carteira, anteriormente conhecidos como excomunhão. É preciso repaginar o vocabulário a fim de conquistar o público de diversas camadas.

Obviamente, é só um esboço de idéia, ainda precisariam ser trabalhados alguns detalhes, estabelecidas metas de campanha, boladas umas peças publicitárias, enfim, deixo essa parte para o setor de marketing do Vaticano. O que tenho certeza é de que isso atrairia de volta as ovelhas desgarradas, todos os fiéis perdidos para a concorrência. Bem, nem todos, para falar a verdade...

- João! Maria! Que alegria encontrar vocês!

- Padre?!!! Mas o que é que o senhor está fazendo aqui? Sai pra lá Cérbero, vai ver se eu tô na barca do Caronte, vai!

- Pois é...

- O que é o que o senhor está comendo?

- Bombom de cereja. Quer? São frescas!

- Ei! Eu tô reconhecendo essa moça aí do seu lado: é a minha vizinha!

- Pois é...

- Não vai me dizer que aquelas mensagens anônimas...

- Não! Imagine!

- E como é que logo o senhor veio parar aqui?

- Eu estava com a carteira vencida, sabem? Aqueles almoços de fim de semana... uma loucura! Me enrolei um pouco pra fazer o cursinho de reabilitação, daí a Grande Ceifadora veio de uma hora pra outra e, já viu! Vim parar aqui.

- E os bonbons, a vizinha...

- Como eu não tinha mais nada a perder mesmo, decidi me deixar levar de uma vez pelos pecados mortais. Dá uma licencinha que tá rolando um churras ali naquele caldeirão e eu tô indo pra lá. Querem vir também? O pessoal é super animado.

- Não, não, obrigado.

- Então, tá! Tô vazando! Fui!

É preciso reconhecer que, mesmo com as mudanças, o inferno não deixaria de ser um lugar cheio de gente interessante...

sábado, 20 de junho de 2009

Boa notícia!

As idéias voltaram!!!!

Mas o tempo.... Buáááááááá!

Só mais uma semana e chegam as férias... Por enquanto, só mensagens enigmáticas no Twitter.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Será que ainda existo?

O que está acontecendo comigo? Não consigo mais escrever...

Deserto das letras, talvez?

Já tentei encontrar mil razões e até mesmo essa constante busca das razões e de tentar compreender tudo e todos que me cercam está me cansando!

Sei lá...

Comecei a usar o Twitter.

Mais uma coisinha pra ocupar o que não tenho: tempo!
Um item a mais a ser abandonado no meio do caminho.
Outra ponta solta de mim por aí...

Definitivamente, acordei de mau humor hoje!

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Fale pelo seu travesseiro!

Imagine a seguinte situação: um grupo de moradores de um edifício contrata uma pessoa para representá-los nas reuniões de condomínio. Um emprego temporário, de tempos em tempos esses moradores decidem se o representante continua ou é substituído por outro. O salário dessa pessoa é pago, evidentemente, pelo grupo de moradores que o escolheu. 

O representante cumpre seu papel, isto é, comparece a quase todas as reuniões de condomínio. Mas, fora delas, age como se tivesse poderes especiais. Um dia, sai para jantar com amigos, bebe além da conta e volta para casa dirigindo a uma velocidade absurda. Acaba por causar um acidente em que duas pessoas morrem. Aparentemente, para todos os que quiseram chamá-lo à razão, tentando impedi-lo de dirigir sem ter condições para isso, ou então no hospital em que foi atendido depois do acidente, ele fez questão de lembrar que: Eu sou um representante, você está me entendendo? Um representante nas reuniões de condomínio! Como se isso fosse algo de muito especial ou condição suficiente para que ele estivesse acima de qualquer lei, de qualquer limite. 

O grupo de moradores que o escolheu está, obviamente, chocado. Mas está ainda mais chocado por descobrir que realmente esse simples representante tem prerrogativas que eles, os que os escolheram, não tem! Ele tem direito a tratamentos especiais e aqueles moradores do condomínio que o escolheram vão ter de lutar muito, e quando eu digo muito, quero dizer muito mesmo, para que esse cidadão seja julgado a fim de que a lei decida se a sua conduta merece punição e que tipo de punição será essa.

Parece um cenário surreal? Eu também acho! Mas é exatamente isso que está acontecendo nesse momento na cidade de Curitiba. Um deputado estadual causou um acidente no qual morreram dois rapazes. Não serei eu a pessoa que o julgará por esse ato, isso cabe à justiça. Mas a sociedade curitibana, em especial as famílias desses dois jovens, terá de lutar muito, com todas as suas forças, a fim de conseguir que essa pessoa, cuja função social é somente a de representar temporariamente os moradores do estado do Paraná na Assembléia Legislativa, seja levado a julgamento. Um julgamento verdadeiro e não um simulacro.

Eu não quero comentar tudo o que se disse até o momento sobre o caso. Verificar a veracidade ou não desses depoimentos que afirmam que ele estava bêbado, que destratou e agrediu enfermeiras, que não se deixou convencer pelas pessoas que o viram sair do restaurante de que ele não tinha condições para dirigir, que os ferimentos que ele teve foram superficiais então seu estado de coma foi induzido para que ele não tivesse de dar declarações, que testemunhas foram ameaçadas, que provas sumiram para reaparecer quando o caso tomou proporções maiores e tantos outros detalhes escabrosos. Isso cabe ao poder judiciário. 

Quero comentar somente o fato: um carro foi cortado ao meio quando foi atingido por outro que vinha no mesmo sentido e isso causou a morte de dois rapazes.

Vale lembrar a lei da Física que diz que objetos que colidem em sentidos opostos tem suas velocidades somadas, mas quando colidem no mesmo sentido, tem suas velocidades diminuídas uma da outra. Acho que um exemplo concreto vai deixar bem claro aonde estou querendo chegar.

Se dois carros batem de frente, um deles a uma velocidade de 50Km por hora e o outro a uma velocidade de 70Km por hora, isso causará um dano equivalente àquele que aconteceria se um dos carros estivesse parado e o outro o atingisse a uma velocidade de 120Km por hora, ou seja, a soma das duas velocidades. 

Porém, se os mesmos carros colidem, exatamente com as mesmas velocidades, mas estando os dois no mesmo sentido, os danos seriam os mesmos que aconteceriam se um dos carros estivesse parado e o outro o atingisse a uma velocidade de 20Km por hora, ou seja, a diferença entre as duas velocidades.

Quem afirma isso é a Física, não é nenhuma lei jurídica.

No caso desse acidente, os dois carros estavam no mesmo sentido. O carro do deputado vinha atrás daquele dos rapazes. Era uma via rápida, domingo à noite, mas vamos imaginar que os rapazes estavam andando dentro da velocidade máxima permitida por lei nas cidades, ou seja, 60Km por hora. Qual deveria ser a velocidade do carro do deputado para que, atingindo o veículo dos rapazes por trás, e descontando a velocidade deste, aqui imaginada a 60Km por hora, ele ainda fosse capaz de cortar esse carro ao meio?! 

Isso é um FATO comprovado pelas imagens do que restou do carro dos rapazes. Eu não estou fazendo suposições, nem acusações, nem qualquer tipo de comentário apaixonado ou parcial. Estou simplesmente aplicando uma lei da Física para formular a seguinte pergunta: qual velocidade seria capaz de cortar um carro ao meio? 

Em seguida, quero saber: o que deve acontecer a uma pessoa que dirige nessa velocidade e causa a morte de duas outras pessoas?

Portanto, um cidadão, uma pessoa como qualquer outra que existe sobre a face da terra, entrou no seu carro num domingo à noite e dirigiu a uma velocidade capaz de cortar ao meio um carro, independente deste carro estar em movimento ou parado diante dele. O que eu penso é que essa pessoa tem OBRIGATORIAMENTE de responder pela sua conduta!

Mas acontece que essa pessoa trabalha e trabalhos tem títulos, descrições, uma simples palavra que os identifica: advogado, empregada doméstica, pintor, lavadeira, encanador, professor, médico, pedreiro, deputado... Qualquer palavra dessas que sirva para descrever uma simples ocupação profissional não é motivo suficiente para livrar uma pessoa da responsabilidade de justificar suas ações, menos, a palavra deputado. Junte-se a essas algumas outras, também meros descritores de ocupações funcionais: vereador, prefeito, governador, presidente, senador, desembargador... Ao que parece, trabalhar sob essas descrições torna essas pessoas seres humanos diferentes. Com super poderes. Pena que esses super poderes não servem para proteger a humanidade, mas somente a si mesmos e aos seus escolhidos.

Vamos tirar o véu de glamour, celebridade ou importância dessas pessoas. Vereadores, deputados, senadores não são mais do que representantes, simples prepostos em reuniões de condomínio, ou seja, do lugar em que vivemos. Pode ser o condomínio-cidade, o condomínio-estado ou o condomínio-país. Eles não são mais do que meros representantes temporários. Prefeitos, governadores e presidentes não são mais do que síndicos. Eles não são especiais, também não tem super poderes, nem podem mais do que os outros. A síndica do edifício em que eu moro não tem o direito de fazer aquilo que os outros moradores também não tem, só porque é síndica. E ela não faz! Não faz porque é séria e responsável, mas poderia não fazer só porque é consciente da sua função, da sua transietoriedade e do fato de que será destituída desse cargo se o fizer. É um cargo! Uma ocupação profissional. 

Ser vereador, deputado, prefeito e por aí vai, até chegar a presidente da república é ser apenas trabalhador público por tempo limitado. E não estou dizendo funcionário público que teve de passar por concurso. Estou falando de ser operário cuja função é representar a sociedade nas decisões que são tomadas a fim de organizar a vida nos espaços que ocupamos. Ser operário que organiza a vida pública não significa possuir um símbolo divino, uma capacidade espetacular, única ou exclusiva que o torne um ser especial.

A família de um dos jovens que morreu nesse acidente está promovendo uma série de eventos para conseguir que esse deputado vá a julgamento. Essa família está levando adiante uma guerra para conseguir somente que o deputado seja considerado o que ele já é: uma simples pessoa, como qualquer outra pessoa sobre a face da terra. 

Assisti a uma entrevista da mãe desse jovem em que ela disse uma frase que me atingiu diretamente: o seu travesseiro não falará por você. De nada adianta ficar indignado, comentar o assunto no trabalho, no ônibus, na rua, na padaria. De nada adianta ler os jornais, ficar informado sobre tudo. O que adianta, o que resolve, o que faz o mundo girar é a atitude. É se manifestar, é falar, é participar das passeatas, dos movimentos. É passar a mensagem adiante, é reunir-se em associações.

Essa família está promovendo uma manifestação que acontecerá neste sábado, 30 de maio, às 10h30, no calçadão da rua XV de Novembro (Av. Luiz Xavier) esquina com a praça Osório. No local onde fica a nossa famosa Boca Maldita. Pois que essa boca seja bendita no próximo sábado! Que ela esteja repleta de dentes e línguas, e que esse dentes e línguas gritem toda a indignação que sentem. Que essas bocas saiam de suas casas e que compareçam. Todas as que puderem e que tiverem condições de ir. As que não puderem, que instiguem outras bocas a comparecer e a gritar juntas que nós não somos o brasileiro típico, que não age, que não fala, que não se posiciona, que não faz nada. Não somos o povo que não se revolta, que não exige seus direitos, que não faz mudar sua própria sociedade.

Assisti a um filme esta semana (O Leitor) em que um dos personagens diz: nossa justiça não se rege pelo que é certo ou errado, ela se rege pela lei.

Se nossas leis beneficiarem àqueles que são culpados, então lutaremos para mudar as leis! Mas, para isso, é preciso ficar evidente que a lei foi aplicada e que não foi capaz de fazer justiça. E isso não se faz por mágica, nem independentemente da ação dos cidadãos. Tudo por conta de mais uma lei da Física, dessa vez, a da inércia: um corpo manterá seu estado a não ser que uma força lhe seja aplicada

Se ele estiver parado, parado ficará até que algo ou alguém lhe dê o impulso para que entre em movimento. 

Se estiver em movimento, em movimento permanecerá até que algo ou alguém lhe imponha o obstáculo que o fará parar.

Não quero que a inércia nos deixe parados nesse caso. Não me canso de pensar e de fazer uma suposição: e se no lugar de jovens cujas famílias têm essa coragem, essa capacidade de mobilização e de luta, o deputado tivesse atingido um carro com pessoas cuja família não tivesse esses recursos? O que aconteceria? Será que tomaríamos conhecimento desse fato, simplesmente absurdo, que ocorreu? 

Precisamos aproveitar que o destino impingiu essa dor dilacerante a uma família que tem a força e a coragem que eu mesma talvez não tivesse. Eles lideram, eles se movimentaram, eles saíram da inércia. Mas sozinhos eles podem muito pouco. Como disse a mãe do Rafael, nossos travesseiros não farão nada por nós tudo por conta de outras leis, dessa vez, da ordem da Biologia: eles não tem vida. Eu tenho. Você tem. Rafael e Carlos, infelizmente, não tem mais.  

Peço a todos que puderem estar presentes a esta manifestação, que estejam. É pouco, mas é um começo de alguma coisa. E sentiremos que estamos fazendo a diferença nesse mundo.


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Reforma... sabe como é...

Não! Eu não sumi, não desapareci, não me desintegrei! Quer dizer, até sumi, mas só do mundo virtual, garanto!

O que acontece é que estou CANSADA, CHAPADA, SATURADA de computadores! Jamais imaginei que chegaria a esse ponto, mas cheguei.

Como meu trabalho atual exige que eu fique horas e mais horas na frente dessa máquina, tudo o que eu quero quando não estou trabalhando é DISTÂNCIA dela. E aí, meu pobre blog fica abandonado às traças digitais...

Mais de um mês de ausência, que horror! E vou continuar ausente...

A reforma do visual continua como vocês podem ver, agora está essa bagunça aí, sem os links das laterais (eles ainda existem, mas estão lá pra baixo), alguns posts estão invisíveis, uma verdadeira confusão. Só consegui deixar, por enquanto, de uma forma que o post mais recente pudesse ser lido. E pra isso, estou tendo de remover com britadeira as camadas fossilizadas de poeira dos meus conhecimentos em programação HTML, os quais sempre beiraram o ridículo. Pelo menos descobri que ainda existem!

Nesse tempo todo de ausência, estive fazendo muitos trabalhos manuais. Um dia, quem sabe, eu consiga ânimo e disposição para postar as fotos desses trabalhos!

Por enquanto é só...
Não estou abandonando de vez, mas não farei promessas que não sei quando vou poder cumprir!

Que meus bleitores não me abandonem todos...